Apenas vejo

vejo

Vejo pessoas falando de outras pessoas, como se elas também não fossem pessoas.
Vejo entrelinhas dizendo mais coisas do que as próprias linhas.
Vejo vulcões explodindo por dentro e mantendo um belo sorriso por fora.
Vejo dias de chuva com mais beleza e leveza do que dias de sol.

Vejo, apenas vejo.

Vejo opiniões que seriam mais felizes se fossem vacinas, assim injetariam mais fácil no próximo.
Vejo reclamações ao mesmo tempo que vejo paralisia.
Vejo sonhos se deteriorando e medos se elevando.
Vejo uma laranja que está sendo tomada por fungos.

Vejo, apenas vejo.
Mas talvez, eu só esteja vendo demais.

 

Shaiene Cunha

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Olhos na tela

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O som tocou, com os olhos semicerrados, olhou para a tela. Sem nem mesmo conseguir enxergar as palavras direito, começo a digitar. Levantou-se, andou até o banheiro, conseguiu se ver no espelho. Tomou banho e realizou suas necessidades fisiológicas, voltou para o quarto, colocou a roupa, pegou o necessário para o trabalho, saiu de casa.

No caminho, muitas novidades na tela, olhos vidrados. Mais adiante, um ônibus, um metrô, um café e as companhias e novidades virtuais. Pela tela, descobriu que o dia iria ser parcialmente nublado, que o nascer do sol estava lindo, que árvores novas estavam sendo plantadas em sua rua e que a avenida na qual caminhava estava engarrafada.

Chegou ao trabalho. Planilhas, redes sociais, sites, músicas, jogos, notícias. Olhos na tela.

Horário de almoço, era hora de se alimentar enfim, almoçou junto com suas companhias virtuais. Voltou para o escritório, planilhas, redes sociais, sites, músicas, jogos, notícias. Olhos na tela.

Encerrou seu expediente, saiu da empresa. No caminho, um metrô e um ônibus. Chegou em casa, tomou um banho, se olhou no espelho. Olhando para a tela, comeu o que haviam preparado, deitou-se e ali ficou até dormir. Dormiu. O som tocou novamente, olhou para a tela.

E o caminho?

Bem, no caminho haviam vizinhos para dar bom dia, uma criança feliz, pessoas conversando sobre as novidades daquele dia. Havia também um lindo nascer do sol, um cheiro incrível de pão fresco vindo da padaria, flores desabrochando e árvores sendo plantadas em sua esquina. No trajeto do ônibus, uma vista linda da cidade, tal como seus sons e seus mistérios. No metrô, músicos trazendo um novo som para a cidade, várias pessoas com diversos estilos diferentes. Tinha também uma pessoa que lhe fez uma pergunta e não obteve resposta, pois não foi ouvida.

No caminho de volta, as luzes das casa e prédios iluminavam de forma mágica todo o percurso. Pessoas, cada uma com suas histórias a serem compartilhadas, passaram despercebidas. A lua estava linda e rodeada por estrelas. Havia romance, suspense, drama, sons diferenciados a cada passo dado. Em casa havia uma mãe que preparou o jantar e tentou conversar, mas não conseguiu.

O caminho estava ali, repleto de surpresas que, infelizmente, não foram vistas e experimentadas, afinal, o caminho não estava na tela.

 

Shaiene Cunha

Você tem sido feliz por você?

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E foi com esta questão que ficou. Durante todo o percurso até em casa, a noite mal dormida, o dia seguinte, repensando nesta pergunta. Tão simples e tão complexa ao mesmo tempo.

A questão é que não havia percebido que a vida inteira tinha sido feliz para os outros, afinal os outros possuem suas necessidades, sempre tiveram, e sempre pareceram muito mais importantes e urgentes do que as suas necessidades.

A resposta era triste, porém óbvia. Não. Não era feliz por si mesmo, somente pelos outros. Em todas as lembranças de momentos felizes, sempre estava com alguém, suprindo as necessidades desse alguém e fazendo dele, ou dela, uma pessoa mais feliz no mundo. Gostava de arrancar sorrisos, de agradar e fazer bem. E quando não se sentia bem, normal, já era um costume.

Teve que pensar muito até lembrar de uma situação em que fora feliz por si e para si.

E quando a lembrança veio, percebeu o quão distante ela estava. Sim porque algumas lembranças por mais antigas que sejam, permanecem vivas na memória, como se tivessem acontecido no dia anterior, enquanto outras não, podem até ser recentes, mas por não darmos a devida importância se tornam mais distantes e esquecidas. E essa era uma lembrança recente, porém distante.

Ficar feliz por si nunca foi uma prioridade, repito, NUNCA, então acabou não percebendo o quanto era boa a sensação de estar feliz por seus próprios méritos, simplesmente porque estava se fazendo feliz. Está certo, sentia um pouco de culpa por “se fazer feliz”, parecia um sentimento egoísta. Não queria ser egoísta. Só queria essa felicidade tão linda e almejada por todos.

Lembrou novamente, que sensação maravilhosa, dessa vez sem dor e sem culpa, só lembrou e sentiu. Sentiu que de fato era daquilo que precisava, viu o quanto havia perdido de si durante todos os anos, quanto desperdício de tempo, dedicação e amor para os outros, enquanto pra si não sobrava nada.

Sentiu que na realidade essa era a pessoa que sempre quis ser, feliz e se amando.

Descobriu enfim a sua essência, a Felicidade.

Uma dica: Seja feliz por você 😉

Shaiene Cunha

Para a Outra Margem

Para a outra margem


Era uma nova oportunidade, uma experiência diferente das vividas até então. Se jogou, em meio a toda aquela paisagem linda, não havia outra coisa sensata a fazer. Nunca imaginou estar em lugar como aquele, em um momento como aquele e fazer o que estava fazendo. Decidiu encarar o desafio e experimentar.
Carregava consigo os vícios e costumes do dia a dia, não percebeu que para viver totalmente aquele momento precisava se desvencilhar de alguns maus hábitos.
No meio do caminho percebeu que sentia dor, havia feito muito esforço para chegar até ali. Estava exausta, e ainda não havia chegado ao destino. Pensou em desistir, as dúvidas começaram a lhe atormentar: Por que tinha aceitado enfrentar este desafio? Qual seria sua recompensa e os benefícios? Haveria uma recompensa?
E foi a vez da raiva tomar conta, a paisagem era linda sim, mas não estava conseguindo aproveitá-la, tamanho era o esforço feito e a dor sentida.
Qual era a graça de ter toda aquela paisagem envolta, não poder contemplá-la e ainda sentir dor?
-Vou desistir – pensou – Não estou aguentando mais.
E como se ouvisse seus pensamentos, uma voz surgiu ao seu ouvido.
-Você está sentindo dor?
-Sim, estou?
-Então pare. Não faça mais força.
-Mas se eu não me esforçar, não chegaremos ao outro lado.
-Menina, somente pare. Sinta o balanço das águas, o movimento, envolva-se nele. A força que está fazendo só te serve para sentir dor, porque a velocidade não depende de você mas sim da água e do movimento que ela faz. Você até pode dar impulso, com o corpo, seguindo o movimento, mas é a água, o vento e o tempo que decidem em qual momento e como você chegará até a outra margem. Não adianta se desesperar.
Durante a conversa, quando deu por perceber, olhou em volta e já estava do outro lado. A vista era ainda mais bonita. Tudo brilhava, tudo era paraíso, tudo era luz.
E ao olhar para o horizonte percebeu que não foi pela força das pessoas que chegou até ali. Menos ainda pela sua força. Concluiu que a única força necessária para levá-la até a outra margem, era a força que vem de Deus.
Não sentia mais dor. Sentia Paz.
Autora: Shaiene Cunha

QUEM SOMOS?

PÉ DE AMENDOEIRA

 

No despertar da manhã levantamos, vamos a luta, suamos, corremos, colocamos nossa voz em ação.
Agimos, queremos, conquistamos dia após dia o pão.
Oramos, pedimos sempre a graça de lutar mais um dia.
Amamos, rimos, choramos, enfrentamos guerras internas e externas, na violência do mundo, das palavras, das atitudes ferozes, lá estamos nós, dando a cara a tapa.
Reagindo, a todo tipo de controvérsias, resistindo aos preconceitos e ao caos.


Na calmaria a urgência, na urgência a cautela, e na cautela a delicadeza e a força feminina.
Ir mais além sempre, chegar aonde ninguém chegou, sonhar, viver e não deixar de lutar pelos ideais, pelo futuro e pelo presente.
Nós caímos, mas levantamos.


E hoje, quem somos?


Somos filhas, mães, avós, esposas. Somos aquelas que pensaram que desistiria fácil, somos a volta por cima, a tempestade no copo d’agua sim, mas também podemos ser garoa…somos o que queremos ser, porque nós podemos ser.
Somos rosas com espinhos, somos o arco íris da vida, e com toda a responsabilidade, força, poder e muito orgulho podemos levantar a cabeça e dizer: nós somos mulheres!

Autoria: Shaiene Cunha

Homenagem ao dia Internacional da Mulheres (08/03/2017)

_Texto descrito e publicado para a ONG Empreendedorismo de Batom_

URGENTE

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O que fazer quando o mundo te exige urgência e você tem que agir com cautela,  devagar?
Vejo o urgente que se aproxima,  fico face a face com ele, e me pergunto se devo mesmo lhe dar tanta importância.

Afinal o que é a urgência?

Atendendo seu chamado ou não, não deixará de ser urgente.  A urgência chega numa correria,  toda descontrolada,  inquieta. Chega mexendo em tudo, fazendo levantar as pressas de um sonho bom, queimando a comida no forno que estava sendo preparada com tanto carinho.

Chega de forma bruta, mexendo com a sua mente e causando vários tropeços – a urgência me causa vertigem de tanto andar pra lá e pra cá tão rapidamente –  tudo cai,  não há cautela na urgência,  é tudo muito rápido,  sem pensar direito, tende pensar rápido,  tende correr… é urgente,  corre,  se mexe,é agora!

E o que há de tão urgente que não possa esperar?

Há muita gente correndo de um lado para o outro, há muita pressa, mas ninguém se apressa para esperar. Em alguns momentos a espera é necessária, seja para reflexão ou por estratégia, sábio é aquele que ainda consegue um tempo para tal. Veja bem, esperar não significa procrastinar, mas sim,tomar um tempo de decisão, com calma, verificar todas as possibilidades, ter cuidado.

Não dá pra ficar correndo sempre. A loucura também está presente em quem espera, afinal, esperar em um lugar onde todos correm, tornou-se um ato rebelde, tornou-se urgente.

 

Shaiene Cunha

Passarela


A vida passa, e por ela passam pessoas de diversas tribos, com múltiplos gostos, funções e interesses.
A vida passa, e passam também as lutas e conquistas, derrotas e vitórias.
A vida passa, mas durante ela há alegria, bom humor, sorrisos e lindas histórias.

A vida passa e com ela passam também as tristezas e humilhações, os choros e velas.
A vida passa como em uma passarela, nela passam pedestres, ciclistas e até motocicletas.
E durante todo o caminho da passarela, a vida passa, mas a passarela permanece, e assim outras vidas poderão passar sob ela.

 

Shaiene Cunha