Passarela


A vida passa, e por ela passam pessoas de diversas tribos, com múltiplos gostos, funções e interesses.
A vida passa, e passam também as lutas e conquistas, derrotas e vitórias.
A vida passa, mas durante ela há alegria, bom humor, sorrisos e lindas histórias.

A vida passa e com ela passam também as tristezas e humilhações, os choros e velas.
A vida passa como em uma passarela, nela passam pedestres, ciclistas e até motocicletas.
E durante todo o caminho da passarela, a vida passa, mas a passarela permanece, e assim outras vidas poderão passar sob ela.

50 tons de chuva

12533_449006251814664_1845789048_n_largeVocê já deve ter ouvido a charada “O que é o que é, cai em pé e corre deitada?”, cuja resposta é: chuva!

Sim a chuva. Aquele monte de pingos d’água reunidos que são derramados sob nossas cabeças. Uma prova da força, magia e mistério da natureza.

Como pode?

Gotas tão frágeis, vêm do alto, são despejadas em nós, as vezes com uma força inimaginável, capazes de transformar montanhas e pessoas – sem destinguir qual destes elementos exige mais força dos pingos d’água para que ocorra a tranformação – e as vezes calma, quase imperceptível se não fosse pela sensação de frescor sentida na pele.

Um fenômeno da natureza que pode ocasionar o caos e a paz, desastres para alguns e sorte para outros, alimento para uns e fome para outros, alegria e tristeza, constrói, mas também destrói.

Olhar pela janela e ver pequenas gotas caindo, ouvir seu barulho, apreciar a cortina e o rio que formam através de simples gotas, dançar sobre elas ou correr delas.

Simples e devastadora, vai bem com café, cobertor e livro, porém, não combina com uma festa ao ar livre.

Afinal, o que há na chuva de tão especial?

Gotas que não possuem cor nem sabor, e ao mesmo tempo, aguçam os cinco sentidos presentes em nós. Ela sempre estará presente, mesmo quando não pudermos vê-la, sendo esperada ou não, ela virá.

Portanto, dançemos na chuva, através da imaginação ou de corpo presente, apenas dançemos quando pudermos, e enquanto pudermos. Que possamos descobrir suas cores e seus sabores, sem medo e sem ressalvas. Viajemos com a chuva, ela pode nos levar a lugares lindos.

Afinal, a chuva virá, com diferentes nuances e possibilidades, e cabe a nós decidir em qual tom ela colorirá nossa vida.

Boa chuva para todos!

Shaiene Cunha

O que esperar das pedras?

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Fiquei pensando em como a nossa vida se assemelha aquele fato. Muitas vezes só encontramos pedras em nosso caminho, e as juntamos. Não recebemos cimento, tijolos, areia, ou qualquer outro material que sirva para construir uma obra concreta, só recebemos, enxergamos e juntamos pedras, e quando achamos que virá algum outro material, vem mais pedra. E o que nos resta a fazer? Recolhe-las, viver no meio delas, nos acostumar a conviver com elas, e confiar que um dia Deus nos enviará o restante dos materiais para a construção da tão sonhada obra, mas enquanto tais materiais não chegam, recolhemos as pedras em um pequeno monte. Pedra sobre pedra, dor sobre dor, tristeza sobre tristeza, mágoa sobre mágoa. A esperança? Está no amanhã. A esperança não está nas pedras, mas no que virá depois delas. Esperamos passar desta fase para que venha a fase da obra pronta. E ai está o nosso erro.

Conforme o tempo foi passando e as pedras foram se juntando, naquele monte foi desenvolvido areia, a água da chuva o irrigou, foi banhado também pela luz do sol e pelas demais forças da natureza, e daquele monte, nasceu uma árvore. Não foram necessários outros materiais para a obra, porque a própria natureza os produziu. E a primeira ideia de obra concreta, utilizando materiais como o cimento e os tijolos, foi substituída pela obra da natureza, uma obra que ninguém jamais havia pensado em realizar naquele local, porém, que é muito mais bonita, produz sombra, frutos e flores.

E assim é a nossa vida, quando nos encontramos sobre as pedras, recebendo mais delas a todo tempo, esperamos que amanhã tudo se resolva e se transforme na obra que queremos e almejamos. Por mais que entreguemos nossa vida, e consequentemente, nossas pedras à Deus, esperamos que amanhã nossa obra seja realizada, e que Ele nos abençoe com os devidos materiais para que possamos construí-la. É difícil imaginar que Ele já está realizando a Sua obra em nós hoje – não a obra que queremos, mas a obra que necessitamos – e precisa nos dar pedras para que esta obra seja devidamente concluída, pois nem todas as árvores ou flores nascem de um belo jardim, muitas nascem de lixões, brotam de um chão cimentado, ou nascem de um monte pedras, onde jamais imaginamos que nasceriam.

Fica a reflexão: Por que Deus tem nos enviado tantas pedras? Será que espero tanto o meu desejo ser realizado no amanhã, e deixo de perceber as pequenas obras que Deus realiza hoje? Qual vontade tem prevalecido, a minha ou a de Deus? E se a vontade Dele e o tempo Dele não forem semelhantes aos meus? O que está nascendo a partir das minhas pedras?

Shaiene Cunha